Estes dias tive que ir ao centro do rio, e ao perceber que velhos golpes continuam sendo aplicados, resolvi escrever um pouco sobre eles, mesmo não sendo golpes digitais.
A região da Uruguaiana, no Centro do Rio de Janeiro, é um dos locais mais movimentados da cidade, mas também um dos mais usados por golpistas para aplicar enganar pessoas apressadas ou distraídas. Nos últimos anos, moradores, trabalhadores e principalmente turistas vêm relatando golpes com abordagens criativas, rápidas e difíceis de perceber se você não estiver atento.
A Polícia Civil do RJ já prendeu criminosos que atuavam nessa área aplicando golpes semelhantes aos que vamos explicar abaixo. Um deles envolvia a promessa de compras com desconto e pagamento por PIX e aproximação, seguido de fuga do golpista após receber o dinheiro.
Golpe do “celular mais barato”
Esse é um dos golpes mais comentados e praticados no Centro. Como ele acontece:
Você está olhando uma vitrine, um produto ou conversa com alguém sobre algo que quer comprar por exemplo, um celular.
Um golpista se aproxima e diz que sabe de um “lugar onde é mais barato”.
Ele se oferece para te levar até lá e pede que você entregue o dinheiro para ele levar e negociar como se ele fosse comprar para ele mesmo.
Ao chegar dentro da loja ou galeria, o golpista simplesmente desaparece com o dinheiro, seja por uma saída lateral ou sumindo no meio da multidão.
Isso é comum justamente porque a região tem muitos estabelecimentos e corredores onde é fácil se misturar à multidão.

Golpe do “amigo antigo”
Esse golpe usa outra ferramenta poderosa: a confiança. Como funciona:
O golpista te aborda como se fosse um conhecido antigo, às vezes até te dando um tapinha nas costas ou dizendo que já te viu antes, perguntando se lembra dele, ou alegando que estudaram juntos.
Ele inicia uma conversa amigável, e assim que percebe que a conversa esta fluindo ele menciona um produto, muitas vezes perfumes, cremes, relógios ou outros itens “caros” mas por um preço muito baixo.
A narrativa é rápida, convincente e treinada: o objetivo é te deixar confortável e sem suspeitas.
No fim, ele tenta fazer você pagar ali mesmo ou te acompanhar para concluir a compra, e você acaba perdendo dinheiro.
Esse golpe explora psicologia barata e confiança momentânea, e quem já passou por algo assim sabe que é difícil desconfiar quando a abordagem parece “amigável”.
Golpe da “joia encontrada”
Essa abordagem tenta fazer você se envolver emocionalmente acreditando que vai ganhar uma “grana fácil”. A armadilha:
Um sujeito aparece do nada e diz que achou uma joia no chão.
Ele afirma que não sabe o que fazer com ela, onde vender, quanto vale, que se você o ajudar ele vai dividir o valor com você.
Te convida a acompanhá-lo a procurar um lugar para “cotação” ou avaliação, prometendo que você também ganhará uma parte do dinheiro.
É uma armadilha clássica, o objetivo não é dividir nada, mas te levar para um local sem movimento onde ele provavelmente vai tentar te assaltar.
Golpe do engraxate “árabe”
Esse golpe pode ser antigo, mas ainda um dos que mais acontece, especialmente no centro, em áreas de grande movimento e com turistas desavisados.
Como a conversa começa:
O golpista se aproxima pedindo para engraxar seu sapato ou limpar seu tênis, muitas vezes começa a limpar antes mesmo de você responder, e quando você evita ele segue insistindo.
Quando você pergunta o valor, ele fala rápido “três rurira cinco palaca”, algo que mistura números com palavras irreconhecíveis, confundindo ou inventando preços,
Muitas vezes mistura algo irreconhecível com um valor final em centavos onde só é possível entender a ultima parte.
Após terminar ele solta um valor absurdo que não foi acordado, o que antes era R$ 5,50 vira R$ 55, e dai em diante.
Se você questiona, outros comparsas aparecem para te pressionar ou intimidar para pagar.
Esse golpe pode não ser tão visado pela polícia quanto outros mais violentos, mas leva dinheiro de quem não desconfia e entra na conversa. Depoimentos de pessoas nas redes sociais confirmam que isso ainda tem acontecido muito.
Como identificar e evitar esses golpes
Evite sempre abordagens repentinas, não de continuidade a conversas iniciadas por desconhecidos, desconfie de ofertas muito boas, não acompanhe estranhos para negociações e nunca entregue o dinheiro ou faça PIX adiantado.
O que a polícia diz
Autoridades da Polícia Civil do Rio têm atuado na região para combater esses golpes, inclusive com prisões em flagrante de pessoas que se passavam por funcionários de lojas e fugiam após receber pagamentos via Pix.
A recomendação é que casos suspeitos sejam registrados em delegacia o mais rápido possível para que as autoridades possam investigar e prender os responsáveis.